Radioamador

A História do Radioamadorismo

Radioamador é a pessoa habilitada pelo governo brasileiro para operar uma estação de radiocomunicação sem fins lucrativos após ser aprovado em exame pratico e teórico de  Legislação de Telecominacações, Radioeletricidade, Técnica e Ética Operacional e Recepção e Transmissão de Sinais Telegráficos. No Brasil  O órgão responsável pela regulação do serviço de radioamador é a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL).

O primeiro meio de comunicação tecnológico da humanidade foi o Código Morse idealizado por Samuel Finley Breeze Morse que estudou no Yale College, onde pesquisou e se interessou por eletricidade e em 1832 durante uma viagem de navio tomou conhecimento sobre o eletroímã, um dispositivo elétrico ainda pouco conhecido na época e com esta informação  construiu um protótipo de um telégrafo e em 2 de setembro de 1835 onde lecionava na Universidade de Nova York, estendeu um fio elétrico de 1700 pés (550 metros aproximadamente) entre duas salas de aula e transmitiu sinais telegráficos com seu aparelho e nascia naquele momento a Telegrafia.

A história do radioamadorismo tem inicio com a descoberta da ondas eletromagnéticas na Inglaterra em 1863 pelo cientista e matemático James Clerk Maxwell na Universidade de Cambridge que demonstrou através de teoria  a provável existência da ondas eletromagnéticas.

Passaram-se alguns anos e em 1887 um jovem estudante e cientista alemão Henrich Rudolph Hertz provou na pratica a teoria de Maxwell  construindo um aparelho onde se deslocava centelhas elétricas através de um ponto para outro sem utilizar um condutor elétrico físico, (fio elétrico), esta experiência  comprovou a transmissão e recepção através da atmosfera em forma de ondas eletromagnéticas e que em sua homenagem veio a se chamar Ondas Hertzianas. Até este dia os sinais telegráficos eram transmitidos e recebidos através de redes telegráficas de fio que atravessavam os países e os continentes.

Nikola Tesla, um cientista nascido na Sérvia foi quem produziu o primeiro sistema de rádio e foi quem mais contribuiu do ponto de vista prático e experimental para a descoberta do rádio.

Em 1895, Guglielmo Marconi, físico e inventor italiano aproveitou-se das descobertas de Hertz e do sistema de rádio de Tesla.

 Marconi, entrou em contato com Tesla para saber detalhes da construção de seu sistema de rádio com o intuito pouco ético de reconstruí-lo e registrar a invenção em seu nome, mas Tesla já havia registrado seu invento. Hoje em dia o inventor do radio e considerado Nicola Tesla.

Em 1896, Marconi construiu seu próprio sistema de radio e demonstrou o funcionamento dos seus aparelhos de transmissão e recepção de sinais na Inglaterra através do Canal da Mancha e dois anos depois conseguiu emitir o primeiro sinal telegráfico (letra S) através do atlântico norte onde foram escutados em St. Johns na província de Labrador, Canadá, através deste feito surgiu à importância comercial e econômica da telegrafia sem fios.

Em pouco tempo outros cientistas e técnicos aperfeiçoaram o radio com suas descobertas e pesquisas e o que se seguiu foi uma explosão tecnológica como o circuito elétrico sintonizado e a válvula para produzir e amplificar as ondas eletromagnéticas, as rádios broadcasting e os primeiros radioamadores que construíam seus próprios aparelhos de transmissão e recepção dando inicio a primeira rede social interativa de comunicação privada baseada em uma nova tecnologia, primeiramente em telegrafia e depois em fonia (voz).

Radioamadorismo no Brasil

No Brasil o Radioamadorismo tem início com as pesquisas e os experimentos do cientista brasileiro Padre Roberto Landell de Moura, natural de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, onde estudou no Colégio dos Jesuítas em São Leopoldo e na juventude foi para o Rio de Janeiro onde decidiu seguir o sacerdócio. Freqüentou o Colégio Pio Americano e também a Universidade Gregoriana em Roma como aluno de física e química e foi ordenado sacerdote em 28 de novembro de 1886 e retornou para o Brasil e iniciou suas experiências com o rádio.

Enquanto o restante do mundo fazia transmissões telegráficas via fio, Landell de Moura construiu o primeiro transmissor e receptor de comunicação via atmosfera utilizando as ondas Hertzianas (Landellianas) e em 1893 fez a primeira transmissão telegráfica sem fio em São Paulo do alto da Avenida Paulista para o alto de Santana numa distancia aproximada de oito quilômetros em linha reta na presença de várias autoridades. Somente um ano depois Marconi iniciou suas experiências com o telegrafo sem fio.

O maior feito de Landell de Moura ocorreu em 16 de julho de 1899, onde pela primeira vez na história da humanidade a voz humana foi transmitida por meio de ondas eletromagnéticas a partir do Colégio das Irmãs de São José, hoje Colégio Santana, no alto do bairro de Santana, zona norte da capital paulista evento registrado pelo jornal Estado de São Paulo. Landell de Moura nunca explorou comercialmente sua descoberta e posteriormente foi homenageado como o patrono dos Radioamadores Brasileiros.

Os primeiros radioamadores do Brasil surgiram em São Paulo e Rio de Janeiro e pouco depois no Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Pernambuco e Pará, oprimeiro radioamador brasileiro foi Livio Gomes Moreira, em 1909 era telegrafista profissional do então DCT – Departamento de Correios e Telégrafos paulista e tinha como indicativo de chamada SB3IG (Sierra Bravo Três India Golfe) e posteriormente PY5AG (Papa Yank Cinco Alfa Golfe) e seu equipamento foi construído por ele próprio.

O Radioamadorismo existia no Brasil desde 1909, mas não era regulamentado, e os Radioamadores eram perseguidos pelas autoridades por exercerem uma atividade clandestina que era considerada privativa do Estado, particularmente das Forças Armadas.

Em 1914 foi criado nos Estados Unidos a The American Radio Relay League – ARRL, que estabeleceu as primeiras normas para o serviço de radioamadorismo.

Em 05 de novembro de 1924, o Governo Brasileiro pelo Decreto n° 16.657, criando uma legislação sobre o Serviço de Radioamadorismo, tirando da clandestinidade os seus praticantes onde deveriam submeter-se a exames para obter a sua licença. Os primeiros exames foram realizados pelo antigo DCT em janeiro de 1925, no Rio de Janeiro, e em fevereiro de 1926, em São Paulo.

Na década de trinta surgem duas entidades representantes dos Radioamadores no Brasil, uma em São Paulo e outra no Rio de Janeiro, e em 02 de fevereiro de 1934 estas se uniram criando a LIGA DE AMADORES BRASILEIROS DE RADIOEMISSÃO – LABRE, hoje Confederação Brasileira de Radioamadorismo, representante única e legítima dos radioamadores brasileiros, tanto no âmbito nacional como internacional, até os dias de hoje.

Os radioamadores foram os pioneiros da comunicação, pesquisando, inventando, utilizando e incorporando novas tecnologias para aumentar a eficiência dos equipamentos para conseguir atingir maiores distancias, o radioamadorismo foi a base para grandes descobertas tecnológicas, como o radar, a telefonia celular, descoberta das microondas e a comunicação via satélite em 1961 com o satélite OSCAR 1, que foi um projeto de radioamadores, e muitas outras tecnologias.

Este é o lado tecnológico e científico do radioamadorismo, nas existe outra característica mais marcante em nosso meio que é a fraternidade entre os povos, e a ajuda humanitária em caso de grandes catástrofes ambientais, convulsões sociais, emergências ou quando o sistema de comunicação oficial entra em colapso ou deixa de funcionar por outro motivo como, por exemplo, o Tsunami da Indonésia em 2004, W. T. Center 2001, Terremoto do Haiti 2010, Terremoto seguido de Tsunami no Japão 2011, os radioamadores é que deram suporte nestas emergências, nosso sistema de comunicação é independente de todos os outros meios, não dependemos de redes de transmissão, provedores ou qualquer outro sistema institucional de telecomunicações, se faltarem à energia elétrica usamos geradores, baterias ou outro meio qualquer e poderemos nos comunicar com o mundo todo.

Somos uma população de mais de quatro milhões de pessoas espalhadas por toda superfície da terra (no Brasil somos mais de 30 mil), em todos os países e continentes, em lugares inóspitos, ilhas, no espaço (a maioria dos astronautas são radioamadores), mantemos nossas estações no ar operando 24 horas por dia a mais de 100 anos e sempre passando para geração seguinte este espírito de liberdade e solidariedade, somos o último meio de comunicação livre que não depende de nenhum sistema para entrar “no ar”.

Apesar das novas tecnologias existentes hoje em dia como a internet, o radioamadorismo também incorporou este sistema sem perder o seu principio de liberdade vindo a enriquecer ainda mais o hobby.

Radioamadorismo, um hobby, uma atividade esportiva, ciência e principalmente uma filosofia de vida, o verdadeiro radioamador nasce radioamador e será radioamador pelo resto de sua vida, podemos dizer que esta filosofia nunca deixará de existir, nosso hobby é único, foi o primeiro a integrar todos os povos, somos pessoas anônimas e abnegadas e reconhecidas como as sentinelas do mundo, sempre haverá um radioamador “no ar”.

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